"Com as lágrimas do tempo e a cal do meu dia eu fiz o cimento da minha poesia". (Vinícius de Moares)

23 novembro 2015

Aqui pensando...

“Eu tenho pensado nas pessoas que me somam. Naquelas que perdem seu tempo e energia comigo, insistindo de várias formas, para que o meu riso seja constante e as preocupações, pequenas. Naquelas pessoas que me pegam pela mão e me ajudam a atravessar abismos.
Eu tenho pensado nas pessoas que fazem abrigo no coração, pra eu morar. Naquelas que tecem milhares de sorrisos no meu rosto. Naquelas que constrõem inúmeras certezas em cima do meu medo. Naquelas que falam bonito, depois de uma tempestade emocional desabar sobre o meu quintal. Naquelas que plantam pés de esperança, no vaso de entrada, pra encantar meu olhar.
Àquelas pessoas que não desistem
da gente, eu agradeço." 
Cris Carvalho

17 novembro 2015

Teu Olhar...



"E o que me mata é olhar no fundo dos seus olhos e ver neles o mesmo brilho, a mesma leveza e sentir o seu sorriso me dizendo em entrelinhas, que a nossa história louca e mal escrita não acabou.
É o que me mata e me dá vida. 

E a ternura que eu sinto a cada vez que você me olha e sorri,o seu carinho, a importância que eu tenho na sua vida, esse sentimento maluco que você tem por mim e não sabe nem o que é, isso tudo se confunde com o amor.
Mas eu sei, eu sei que não é amor.
E você também sabe.
Talvez seja por isso que você me mantém sempre por perto, porque você precisa do meu carinho pra alimentar o seu vazio e te trazer paz por algum tempo, mas não me mantém do seu lado, porque pra caminhar junto é preciso o amor.
E é nessa que a gente vai seguindo. 
E mesmo distante você precisa sentir que eu estou por perto e te acompanho de longe, saber que eu ainda te quero, porque você se sente seguro, porque você sabe que eu vou estar lá quando você cair, com o meu carinho e a minha paz."

Reticências



Tenho certeza que um dia vamos nos reencontrar numa esquina qualquer, nos olharmos nos olhos, e perguntarmos em silêncio por que estamos tão distantes... Engolindo seco todos os nossos momentos, respirando fundo nossas lembranças, e nos cumprimentando como dois desconhecidos. Sem sabermos o que dizer, nem o que fazer, perguntaremos um para o outro se estamos bem, mas já sabendo a verdadeira resposta; por não estarmos juntos. E ainda assim, ambos responderão ''sim'', com um sorriso forçado no rosto. 

Depois de um pouco de conversa, goles de novidades e uma fatia de curiosidade, partiremos para mais uma dolorosa despedida. Sem querermos dizer tchau, nossos corpos se abraçarão, e o que já esperávamos acontecer, acontece: o cheiro de nossas peles se reconhecem mais uma vez. A minha essência se mistura com a tua, fazendo uma forte combustão de saudade sem fim. Um cheiro de conforto e segurança fica no ar... Nossos braços entram em contato direto com um passado, que insiste em permanecer no presente, e ainda sonha com um esperançoso futuro. É como se estivéssemos sendo presenteados com o ontem e o amanhã ao mesmo tempo. 

E por fim, quando conseguíssemos lidar com esse momento tão emocional, cada um de nós vai seguindo um rumo, sem sabermos se uma “mera coincidência” vai nos unir novamente. Falaremos “até logo’’, porém, roendo as unhas de expectativa para ouvir um “fica mais um pouco’’. Mas isso talvez nunca venha acontecer! Até porque ficamos reféns do comodismo em ter medo de enfrentar o nosso orgulho. Ao ponto de conseguirmos perdoar nossos erros, esquecer mágoas, decepções e todos aqueles que dizem que não vamos dar certo. E definitivamente vivermos para nós, e só morrermos de amor. Colocando de uma vez por todas um ponto final nessas vírgulas e reticências...

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Texto de autoria do poeta e escritor Pernambucano, Luís Henrique, 22 anos. Graduando de Publicidade e Propaganda, Fundador da página Um Nordestino disse.

04 novembro 2015

O Conceito da Saudade




"Nada nesse mundo tem mais toneladas do que a saudade, nada. Saudade é uma dor imensurável e sufocante presente em cada hiato. É sentimento abstrato que esmaga o peito como se fosse concreto. A saudade é a vírgula quilométrica enraizada entre dois pontos, dos muitos textos que a vida infelizmente pausa por falta de prosa e até pelo excesso de rosas. Saudade afia os ponteiros do relógio, transforma poucas horas em cortes profundos, dominados por flashbacks com ardor de álcool cuspido sobre ferida aberta, aparentemente incicatrizável. A saudade nos afoga com as águas calmas do passado, desfoca o presente e congela o futuro como faz o frio polar de uma nevasca.

A saudade transforma qualquer música em motivo para pensar naquilo que partiu dentro de um avião, que nunca deveria decolar, nem por decreto do Papa. Saudade é emoção indivisível, razão incontestável para relembrar o gosto inesquecível daquela pessoa que mudou nossos passos, gestos e hoje, infelizmente nos considera gasto, empoeirado. A saudade é a sombra maldita que não precisa da luz solar para nos seguir por cada calçada da vida. Ela repousa num banco de passageiros vazio, dorme em nossa insônia, esconde-se nos presentes que prendemos em caixas lacradas, blindadas pelo medo de encarar as memórias boas.

Ela transforma comercial de televisão em lágrimas reais, faz homem barbado virar menino ansioso em dia de natal, como um cachorro que espera o dono todo dia ao pé da porta, mesmo que esse nunca mais volte pra casa. A saudade enlouquece, embriaga, faz o mundo todo ter uma só cara e nenhuma cura. A saudade é um bar que já saiu rotina, um prato de risoto que foi comido antes do gozo, um beijo único no meio do olho. É o medo de perder uma peça em meio à multidão e nunca mais encontrar outro alguém que encaixe tão bem nesse quebra-cabeça. Saudade é temer a vinda do novo e teimar em achar que o velho sempre será a melhor parte dessa obra de arte, chamada vida.

A verdade nua e crua é que ninguém nesse palco real está imune ao pesar da saudade, a dor latejante das inevitáveis partidas e aos planejamentos que talvez permaneçam inacabados até o fim da vida, esquecidos numa lista eternamente guardada no fundo da gaveta, mas nunca jogada fora. Desconheço alguém nesse universo grandioso que não tenha perdido o chão, a cabeça, a pose e até mesmo a sanidade quando deu de cara com esse tal sentimento com aparência de muralha intransponível e cheiro de fotos velhas. Não existe colete à prova de saudade, nem formas de blindar nossa vida dos estilhaços daquilo que vai e nem sempre volta.

Sendo bem sincero, existem sim algumas dicas para quem não quer esbarrar com a saudade: recuse toda e qualquer alegria que te faça gargalhar até sentir dor nos músculos da barriga, nunca se envolva com pessoas capazes de colorir teus dias mais cinzas e chuvosos, coma tudo sem sal e sem tempero, não viaje, não saia de baixo do edredom por nada, não beije nem na bochecha, não faça sexo e em hipótese alguma conheça seus avós se a vida lhe der essa oportunidade imperdível.

Não sei vocês ilustres leitores, mas eu prefiro carregar essas mil toneladas de saudade, ainda que em meio a lágrimas e memórias martelantes, pois só assim terei a certeza que estou vivo de verdade, sem talvez, nem porém. Afinal, saudade é corpo de delito das coisas boas da vida"
(Ricardo Coiro)
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