"Com as lágrimas do tempo e a cal do meu dia eu fiz o cimento da minha poesia". (Vinícius de Moares)

19 agosto 2016

Coração Partido

De coração partido eu entendo bem. A gente permanece até a última gota, e sempre arranja um estoque inteiro pra continuar. Permanece jurando ser a última briga, que rende por várias e várias outras discussões. Permanece desculpando cada mentira, das banais à coisas sérias. Permanece com a certeza de ser diferente, mas acontece sempre do mesmo jeito e acaba da mesma forma. De decepções o coração tá cheio, mas sempre arranjamos um jeito de obter mais algumas. A gente insiste por saber que a falta daquela pessoa será pior do que permanecer ali, mesmo que doa. Insiste porque a sua vida já não é mais tão sua assim. Insiste pois o amor que você sente pela pessoa é tão único que nenhuma outra será capaz de fazer com que você sinta novamente. E é de tantas permanências e insistências que a gente acaba cansando. E desiste. E como dói ter que jogar no ar tudo o que se construiu até hoje, e deixar que o vento os levem pra longe, sem retorno. Como dói ter que dizer para o coração que é o fim, e guardar na gaveta o amor tão intenso como esse. E a gente continua, a vida continua. Sorrisos são esbanjados no decorrer dos dias, para centenas de pessoas, sem ninguém saber o quão difícil está dentro da gente, a tamanha tristeza que nos persegue. A gente continua, sem noticias, sem aquelas conversas meia boca e a suavidade daquela voz que fazia a trilha sonora de nossas vidas. A gente continua, mesmo depois do fim, carregando as dúvidas, incertezas e até mesmo as juras esquecidas ao decorrer do tempo. E mesmo aceitando, a gente sempre espera ser diferente o fim da história, e ora  para uma nova página, pela lucidez daquele certo alguém.

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